Da nova safra de escritores escandinavos, Per Petterson consegue inserir o leitor no bucolismo do interior da Noruega em uma história que alterna presente e passado, respectivamente na vida e nas lembranças do protagonista Trond Sander.
Os sentimentos e as relações com a família vão surgindo aos poucos com um cenário de Segunda Guerra e ocupação Nazista como pano de fundo. O desenvolvimento e a tensão são bem criados e apresentados, no entanto, o anticlímax provocado na conclusão faz o livro cair um pouco ao final. Ou este é apenas um viés meu, de uma expectativa minha.
O texto é rápido e fluido, mas Petterson apresenta vez que outra frases longas também, daquelas boas de ler, em um respiro, como a da página 77 abaixo. Não é um Franzem ou um Proust, mas dá gosto!
De qualquer forma, ótima leitura, para conhecer novos nomes, para imergir na paisagem, na paz e na tranquilidade dos bosques de bétulas, nos campos de neve, e nos riachos tão distantes da realidade urbana.
Frases
P. 77: O que faço, que nunca contei para ninguém, é fechar os olhos toda vez que vou realizar alguma tarefa prática além dos afazeres comuns do dia a dia, e então imagino como meu pai teria feito aquilo ou como de fato ele fazia quando o observava, e depois imito aquilo até entrar no ritmo certo, e a tarefa se mostra e fica visível, e assim tenho feito desde sempre, como se o segredo estivesse na maneira como o corpo se comporta com relação à tarefa, em certo equilíbrio inicial, como acertar a tábua do salto em distância e o cálculo prévio da dosagem da força que será necessária.
P. 117: É possível que me faltasse certo tipo de imaginação naquela época, e é possível que ainda me falte, mas o que vi acontecer no banco do outro lado do rio foi tão inesperado pra mim que fiquei olhando boquiaberto, não frio, não quente nem morno, mas coma cabeça rebentando de vazio, e se alguém tivesse me visto naquele momento teria achado que eu escapara de uma instituição para crianças especiais.
Personagens
Trond Sander - narrador, 67 anos, mora em uma cabana no interior da Noruega
Lars Haug - vizinho de Sander
Lyra - cadela de Sander
Poker - border collie de Lars Haug
Jon - amigo de infância de Sander
Lars e Odd - irmãos gêmeos de Jon
Barkald - grande dono de terras
? - esposa de Barkald
? - pai de Jon
? - mãe de Jon
Olav - mecânico
? - mãe de Sander
? - irmã de Sander, morreu de câncer
? - esposa de Sander, morreu de câncer
Franz - vizinho judeu
Brona - égua de carga
? - vaqueira, ordenha vacas
Åslien - vizinho que limpa a neve
Ellen - filha de Sander
Lars Haug - vizinho de Sander
Lyra - cadela de Sander
Poker - border collie de Lars Haug
Jon - amigo de infância de Sander
Lars e Odd - irmãos gêmeos de Jon
Barkald - grande dono de terras
? - esposa de Barkald
? - pai de Jon
? - mãe de Jon
Olav - mecânico
? - mãe de Sander
? - irmã de Sander, morreu de câncer
? - esposa de Sander, morreu de câncer
Franz - vizinho judeu
Brona - égua de carga
? - vaqueira, ordenha vacas
Åslien - vizinho que limpa a neve
Ellen - filha de Sander

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