sábado, 15 de outubro de 2016

EU, ROBÔ, de Isaac Asimov



Começa bem, mas perde o fôlego ao longo do livro.

O clássico de Isaac Asimov - EU, ROBÔ - traz a antiga (na época não tão antiga, já que o livro foi escrito de 1940 a 1950 na forma de vários contos publicados isoladamente e depois compilados) ideia da Inteligência Artificial, robôs que pensam, se humanizam etc., e apresenta as famosas três Leis da Robótica (p. 65):
1) Primeira Lei - um robô não pode ferir um ser humano, ou por inação, permitir que um ser humano venha a ser ferido
2) Segunda Lei - um robô deve obedecer às ordens dadas por um ser humano, exceto nos casos em que tais ordens entrarem em conflito com a Primeira Lei
3) Terceira Lei - um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou com a Segunda Lei.
No entanto, os conflitos iniciais apresentados nas duas primeiras (de nove) histórias, por exemplo, são simples demais, e portanto justos à apresentação da lógica por trás das Leis. Mas quando os conflitos se intensificam, os argumentos perdem em lógica. Mais porque as Leis não são bem elaboradas, do que por incompetência do Asimov.

Nos dois últimos contos há uma tentativa de ampliar os dilemas para um nível mais macro, planetário, e consequentemente ético, mas ainda assim por demais superficial e logicamente estéril.

Vale a leitura como um clássico. Achei a edição tb muito bonita.



Personagens

? - narrador
Dra. Susan Calvin - Psicóloga roboticista da U.S. Robots and Mechanical Men, Inc.
Lawrence Robertson - presidente da USRMM
Alfred Lanning - diretor de pesquisa da USRMM


1. ROBBIE

Robbie - robô
Gloria Weston - menina de oito anos dona de Robbie
George Weston - pai de Gloria
Grace Weston - mãe de Gloria
Sr. Struthers - gerente geral na US Robots


2. ANDANDO EM CÍRCULOS

Speedy - robô
Gregory Powell - ?
Michael Donovan - ?
MacDougal - ?

3. RAZÃO

Cutie  - robô
Gregory Powell - ?
Michael Donovan - ?
Franz Muller  - cientista substituto
Sam Evans - cientista substituto


4. É PRECISO PEGAR O COELHO

Dave - robô


5. MENTIROSO!

Alfred Lanning - diretor de pesquisa da USR
Peter Bogert - matemático
Milton Ashe  - diretor mãos novo da USR
Dra. Susan Calvin - Psicóloga roboticista da U.S. Robots and Mechanical Men, Inc.
Obermann - ?


6. UM ROBOZINHO SUMIDO

Nestor - robô
Gerald Black - formado em física etérica
Kallner - Major-General 
Wallensky - funcionário do Edifício de Radiação 2


7. EVASÃO!

Dra. Susan Calvin - Psicóloga roboticista da U.S. Robots and Mechanical Men, Inc.
Alfred Lanning - diretor de pesquisa da USRMM
Peter Bogert - matemático
Lawrence Robertson - presidente da USRMM
Abe Levver - novo chefe
Gregory Powell - ?
Michael Donovan - ?


8. EVIDÊNCIA

Francis Quinn - político da "nova escola"
Stephen Byerley - promotor candidato às próximas eleições
John - cadeirante
Harroway - policial
Sra. Hoppen - governanta de Byerley
Lenton - coordenador da campanha de Byerley


9. O CONFLITO EVITÁVEL

Vincent Silver - diretor de pesquisas
Hin Hso-Iin - Vice-coordenador da Região do Leste
Lincoln Ngoma - coordenador da Região dos Trópicos
Francisco Villafranca - engenheiro
Madame Szegeczowska - coordenadora da Região europeia




CAVALOS ROUBADOS, de Per Petterson



Da nova safra de escritores escandinavos, Per Petterson consegue inserir o leitor no bucolismo do interior da Noruega em uma história que alterna presente e passado, respectivamente na vida e nas lembranças do protagonista Trond Sander. 

Os sentimentos e as relações com a família vão surgindo aos poucos com um cenário de Segunda Guerra e ocupação Nazista como pano de fundo. O desenvolvimento e a tensão são bem criados e apresentados, no entanto, o anticlímax provocado na conclusão faz o livro cair um pouco ao final. Ou este é apenas um viés meu, de uma expectativa minha.

O texto é rápido e fluido, mas Petterson apresenta vez que outra frases longas também, daquelas boas de ler, em um respiro, como a da página 77 abaixo. Não é um Franzem ou um Proust, mas dá gosto!

De qualquer forma, ótima leitura, para conhecer novos nomes, para imergir na paisagem, na paz e na tranquilidade dos bosques de bétulas, nos campos de neve, e nos riachos tão distantes da realidade urbana.

Frases

P. 77: O que faço, que nunca contei para ninguém, é fechar os olhos toda vez que vou realizar alguma tarefa prática além dos afazeres comuns do dia a dia, e então imagino como meu pai teria feito aquilo ou como de fato ele fazia quando o observava, e depois imito aquilo até entrar no ritmo certo, e a tarefa se mostra e fica visível, e assim tenho feito desde sempre, como se o segredo estivesse na maneira como o corpo se comporta com relação à tarefa, em certo equilíbrio inicial, como acertar a tábua do salto em distância e o cálculo prévio da dosagem da força que será necessária.

P. 117: É possível que me faltasse certo tipo de imaginação naquela época, e é possível que ainda me falte, mas o que vi acontecer no banco do outro lado do rio foi tão inesperado pra mim que fiquei olhando boquiaberto, não frio, não quente nem morno, mas coma cabeça rebentando de vazio, e se alguém tivesse me visto naquele momento teria achado que eu escapara de uma instituição para crianças especiais.

Personagens

Trond Sander - narrador, 67 anos, mora em uma cabana no interior da Noruega
Lars Haug - vizinho de Sander
Lyra - cadela de Sander
Poker - border collie de Lars Haug
Jon - amigo de infância de Sander
Lars e Odd - irmãos gêmeos de Jon
Barkald - grande dono de terras
? - esposa de Barkald
? - pai de Jon
? - mãe de Jon
Olav - mecânico
? - mãe de Sander
? - irmã de Sander, morreu de câncer
? - esposa de Sander, morreu de câncer
Franz - vizinho judeu
Brona - égua de carga
? - vaqueira, ordenha vacas
Åslien - vizinho que limpa a neve
Ellen - filha de Sander



DE LONDRES A KATHMANDU, de Marcelo Abreu




Adoro livros de viagem!

Já li vários dessa série Viagens Radicais da Record, são diretos, fáceis de ler, mas principalmente entusiasmantes, nos fazem sonhar e nos dão muita vontade de viajar!
Em De Londres a Kathmandu, Marcelo Abreu conta uma viagem e tanto, na verdade, são praticamente três viagens:
- uma pela Europa, até a Grécia
- um novo cenário e novos costumes etc. aparecem quando ele entra na Turquia e avança pela Síria, Jordânia, Irã etc., pelo Oriente Médio
- e por fim, Índia e Nepal, países com suas próprias nuanças.

Eu separaria o livro em três, já são destinos muito diferentes. Quando o leitor está se acostumando a uma determinada região, se sente confortável com o povo, seu costumes, e quer se aprofundar, o livro dá uma guinada e corta um pouco o barato. Fica a dica pro Marcelo.

Viajante experiente, ele não segue as turbas, não quer fazer check-in nos principais pontos turísticos. Ao contrário, busca conhecer habitantes locais, conversar com eles, entender melhor seus estilos de vida, culinária, aspectos da história local, política do país etc. Gosto!

A parte de fotografias também poderia ser mais intensa!
Mas de qualquer forma, uma ótima leitura, nos deixa leves, e prontos pra viajar!